Broadway | “Billy Elliot”

Em meio à revolta de mineiros no norte da Inglaterra em 1984, um garoto de família humilde se interessa pelas aulas de balé dadas na mesma academia em que faz boxe. Curioso pela arte recém conhecida, aceita as lições da severa e amarga professora Sandra Wilkinson (Julie Walters) e logo se apaixona pela dança, que proporciona momentos em que consegue se expressar e se libertar do lar opressivo em que vive com o pai, o irmão mais velho e a avó senil.

Esse é o início da trama criada por Lee Hall e dirigida por Stephen Daldry (“As Horas” e “O Leitor”), que estreou em 2000 e conquistou o grande público por sua sutil simplicidade e por trazer a força arrebatadora de um garoto de muito talento a fim de realizar seu sonho, mesmo com tantos obstáculos a sua frente. Obstáculos que começam com sua família, pobre e preconceituosa que se encontra no meio de uma greve trabalhista, e chegam até o fato de a renomada escola Royal Ballet School, em Londres, nunca ter aceitado quem não pertencesse a famílias de alta sociedade.

Porém, nem só de drama se faz “Billy Elliot”, visto que leves cargas de humor são espalhadas pelo filme e personagens. Seja seu melhor amigo, a professora de balé e sua filha assanhadinha, e mesmo Billy, vários personagens carregam um traço de personalidade mais alegre, ajudando a balancear o longa.

O reconhecimento de “Billy Elliot” veio em prêmios como o BAFTA, que deu ao filme as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante para Julie Walters e Melhor Ator para o novato Jamie Bell (“À Beira do Abismo” e “As Aventuras de Tintim”) com, então, quinze anos de idade e nenhum trabalho como ator no currículo. Enquanto Stephen Daltry e Lee Hall, apesar de não levarem, marcaram presença com suas indicações ao Oscar. Muito premiada, também, é sua versão teatral e musical que levou nada menos que nove prêmios Tony em 2009, incluindo Melhor Musical. Mas antes de chegar lá, a peça foi apresentada pela primeira vez em sua terra natal, no West End londrino, em 2005, passando por Sidney em 2007 e chegando, finalmente, na Broadway em 2008, repetindo a parceria de Daldry e Hall.

“Billy Elliot” traz em um grande espetáculo toda a magia de sua história para os palcos, sem significativas mudanças no enredo, com grandes números de balé e sapateado e sempre revelando talentosos e promissores atores-mirim. Apesar de o filme não ser um musical, possuía grandes músicas na sua trilha sonora, como “A Town Called Malice” do The Jam e “London Calling” do The Clash, portanto, para fazer bonito nos palcos, foi chamado para compor as canções que ajudam a levar a história e compadecer o público ninguém menos que Elton John. Canções como “Solidarity”, “Expressing Yourself”, “Electricity” e o número de sapateado de “Angry Dance” são destaque por ajudar a compor e expressar situações como o significado da dança para Billy, o conflito entre policiais e mineiros em sua cidade e o caminho que este menino do interior da Inglaterra precisa enfrentar para continuar acreditando no seu sonho e talento.

Um exemplo de adaptação de uma bela história que só favorece o espectador. Pois no teatro há como sentir ao vivo a emoção desse filme que se faz digno de uma produção da Broadway e vale por seu enredo, trilha sonora e atores.






Artigo redigido por Maiara Tissi, ex-colunista do Cine Splendor.


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