
Esse é o início da trama criada por Lee Hall e dirigida por Stephen Daldry (“As Horas” e “O Leitor”), que estreou em 2000 e conquistou o grande público por sua sutil simplicidade e por trazer a força arrebatadora de um garoto de muito talento a fim de realizar seu sonho, mesmo com tantos obstáculos a sua frente. Obstáculos que começam com sua família, pobre e preconceituosa que se encontra no meio de uma greve trabalhista, e chegam até o fato de a renomada escola Royal Ballet School, em Londres, nunca ter aceitado quem não pertencesse a famílias de alta sociedade.
Porém, nem só de drama se faz “Billy Elliot”, visto que leves cargas de humor são espalhadas pelo filme e personagens. Seja seu melhor amigo, a professora de balé e sua filha assanhadinha, e mesmo Billy, vários personagens carregam um traço de personalidade mais alegre, ajudando a balancear o longa.
O reconhecimento de “Billy Elliot” veio em prêmios como o BAFTA, que deu ao filme as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante para Julie Walters e Melhor Ator para o novato Jamie Bell (“À Beira do Abismo” e “As Aventuras de Tintim”) com, então, quinze anos de idade e nenhum trabalho como ator no currículo. Enquanto Stephen Daltry e Lee Hall, apesar de não levarem, marcaram presença com suas indicações ao Oscar. Muito premiada, também, é sua versão teatral e musical que levou nada menos que nove prêmios Tony em 2009, incluindo Melhor Musical. Mas antes de chegar lá, a peça foi apresentada pela primeira vez em sua terra natal, no West End londrino, em 2005, passando por Sidney em 2007 e chegando, finalmente, na Broadway em 2008, repetindo a parceria de Daldry e Hall.
“Billy Elliot” traz em um grande espetáculo toda a magia de sua história para os palcos, sem significativas mudanças no enredo, com grandes números de balé e sapateado e sempre revelando talentosos e promissores atores-mirim. Apesar de o filme não ser um musical, possuía grandes músicas na sua trilha sonora, como “A Town Called Malice” do The Jam e “London Calling” do The Clash, portanto, para fazer bonito nos palcos, foi chamado para compor as canções que ajudam a levar a história e compadecer o público ninguém menos que Elton John. Canções como “Solidarity”, “Expressing Yourself”, “Electricity” e o número de sapateado de “Angry Dance” são destaque por ajudar a compor e expressar situações como o significado da dança para Billy, o conflito entre policiais e mineiros em sua cidade e o caminho que este menino do interior da Inglaterra precisa enfrentar para continuar acreditando no seu sonho e talento.
Um exemplo de adaptação de uma bela história que só favorece o espectador. Pois no teatro há como sentir ao vivo a emoção desse filme que se faz digno de uma produção da Broadway e vale por seu enredo, trilha sonora e atores.
Artigo redigido por Maiara Tissi, ex-colunista do Cine Splendor.








