Broadway | “Priscilla, a Rainha do Deserto”




Broadway e Hollywood são duas indústrias que sempre estiveram muito ligadas, em uma parceria proposital ou não, e as duas por vezes se ajudaram e colaboraram uma com a outra. Desde o boom dos musicais em Hollywood na década de 30 até os dias de hoje, quando uma se vê necessitada de histórias originais, cabe a segunda lhe emprestar roteiros e até mesmo atores, fazendo uma parceria de sucesso que proporciona ao público ver a mesma trama abordada por meios bem diferentes.

Nessa coluna falaremos dessa relação e para nossa estreia escolhi “Priscilla, Rainha do Deserto“, musical que pode ser visto no palco paulistano do Teatro Bradesco com exatamente a mesma produção da Broadway, já que diretores, produtores, cenários e até o famoso ônibus cor-de-rosa são os mesmos da versão americana.

O filme é de 1994 e conta a história de Tick, um homossexual que trabalha como drag queen nas noites de Sidney, mas que um dia já foi casado e tem um filho que mora com a mãe na distante cidade de Alice. Um dia Tick recebe um telefonema da ex, pedindo que ele finalmente conheça o filho. Surpreso e apreensivo, ele se vê nos preparativos para uma viagem pelo deserto australiano.
Para a aventura, chama seus amigos Bernadette, travesti que acaba de perder o marido e usa a viagem para sair do luto, e Adam, jovem drag colega de trabalho que só quer saber de se divertir e importunar Bernadette.

Nesse road movie cheio de glitter, hits dos anos 70 e 80 e muita risada, também não falta uma boa mensagem de superação, tolerância e amor. Em uma trama que tem o potencial para ser muito cafona, o roteiro e direção de Stephan Elliott e atuação extremamente incrível de Hugo Weaving (Tick), Guy Pearce (Adam) e Terence Stamp (Bernadette), juntamente com o bom equilíbrio entre comédia e drama, fez de Priscilla uma marco na história do cinema australiano, um sucesso mundial e um clássico principalmente entre os fãs de musicais.





Demorou um pouco, mas Stephan Elliot resolveu fazer a versão teatral de Priscilla e teve sua estreia em Sidney em 2006, com ainda mais dança e purpurina. Foram adicionadas a trilha sonora canções como “It’s Raining Men”, “Material Girl”, “Say a Little Prayer”, que junto com o hino “I Will Survive”, já presente no filme, fazem do musical um dos mais animados que a Broadway já viu.

No filme, durante as apresentações, as drag queens dublavam as músicas famosas, mas como nos palcos três personagens dublando um cd pode ser bem entediante, foram criados os personagens das “divas”, três mulheres com vozeirões e uma alta peruca vermelha que aparecem para o público e cantam as músicas, proporcionando ao espectador dois shows ao mesmo tempo.

O sucesso em Sidney foi enorme, fazendo assim com que o espetáculo fosse levado para Londres, Toronto e, finalmente, para a Broadway, em fevereiro de 2011. Durante esse processo, a relação de Tick com o filho foi colocada ainda mais em foco – já que no filme as desventuras do trio na estrada era o assunto mais recorrente – pois ali, segundo os criadores, é onde está o coração da história, no medo que quem não segue os padrões da sociedade tem de não ser aceito e em como uma criança livre de preconceitos e julgamentos pode enxergar os outros sem rótulos.

Um filme divertido, emocionante e despretensioso que conquistou o mundo e merece sua visita a locadora mais próxima, assim como a peça, uma das maiores produções em São Paulo no momento, que garante, no mínimo, boas risadas.







Artigo redigido por Maiara Tissi, ex-colunista do Cine Splendor.


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