É oficial, os musicais invadiram São Paulo de vez! Quem bate o martelo é a 4 ACT e sua produção de “Fame”, musical de sucesso que conta o cotidiano de um grupo de alunos e professores em uma escola de artes. Todos em busca de aprimoramento, palco e fama, claro.
A 4 ACT foi a primeira escola especializada em cursos direcionados as artes de dança, canto e interpretação da América Latina, tendo sua casa em São Paulo. A escolha de “Fame” como sua primeira grande produção, portanto, faz todo sentido e é um trabalho que o produtor do espetáculo e idealizador e fundador da escola, Ricardo Marques, vem desenvolvendo desde o início da escola, em 2009.
Juntamente com Marques, a equipe de criação conta com o diretor musical Paulo Nogueira (“O Médico e o Mostro” e “Mamma Mia!”), o coreógrafo Guto Muniz e Billy Johnstone, diretor americano que passa essa temporada no Brasil especialmente para a realização e lançamento do espetáculo, que acontecerá no Teatro Frei Caneca na próxima sexta-feira, 12 de maio. Equipe e elenco se reuniram no palco que será apresentado o musical, nessa quarta-feira para contar à imprensa paulistana sobre a peça e apresentar dois números musicais, a abertura “Sim/Eu Posso Bem Mais” e o mashup de “Olha Lá” com a icônica “Fame”.

Um dos aspectos mais interessantes do espetáculo, segundo Marques, é que a trama envolve tanto elementos e características de personagens do filme de 1980, criado por David Da Silva, quanto da série televisiva que durou seis anos, do remake do filme lançado em 2009, e de sua própria experiência como diretor de uma escola de artes, sendo inspirado por situações e alunos da 4 ACT. Johnstone, já no meio do teatro musical há muitos anos, confirma ser impossível não se basear ou lembrar de amigos e companheiros de trabalho na construção dos personagens. Personagens esses, desenvolvidos também pelo próprio elenco, composto por veteranos “desconhecidos” de musicais, que têm sua “chance de brilhar”, e por rostos conhecidos da televisão como Paloma Bernardi no papel de Carmem Diaz, Klebber Toledo como Nick Piazza, MariMoon como seu alter ego Grace Lambchops e Murilo Armacollo, um dos poucos que junta o melhor dos dois mundos.
“Sei que não vou performar como meus companheiros de elenco que fazem aulas de canto e dança desde criança, mas estou trabalhando muito e dando meu melhor”, garante Klebber, que simpático e muito humilde completa: “Sempre fui muito fã de peças musicais e está sendo muito prazeroso estar em uma. Vou continuar trabalhando duro e tenho Frank Sinatra como maior modelo.” Já Paloma, que tem experiência com dança, comenta sobre o fato de sua mãe ter sido bailarina: “Ela trabalhou no Balé Popular de Recife, que não era um balé clássico, era mais energético e empolgante e é isso que trago na minha dança também; ainda mais com a coreografia do Guto, que tem exatamente essas características.”
As coreografias do espetáculo são originais assim como texto e figurinos, fator que demonstra a liberdade criativa da equipe que conseguiu os direitos para a peça há três anos. Sobre o envolvimento de David De Silva na peça, Ricardo Marques disse: “Apesar de termos tido essa liberdade que foi maravilhosa, pedíamos uma autorização ou outra para De Silva, queríamos saber o que ele estava achando do nosso trabalho, e ele sempre deu muito apoio, queria que fizéssemos um “Fame” com a cara do Brasil. Todas as versões internacionais da peça tem características do país em que está sendo feita, assim cada lugar tem sua originalidade.”

A primeira música da peça, “Sim/Eu Posso Bem Mais”, mostra os alunos sendo aceitos na escola de artes e partindo para o primeiro passo dentro da escola: escolher sua especialização. É apresentado cada grupo com sua aptidão mais forte entre cantar, dançar e atuar, em uma sequência com a intenção clara de levantar a plateia logo de cara, além de mostrar que o show promete, acima de tudo, grandes coreografias e bailarinos que vão suar muito para manter o publico entretido.
Na segunda canção a protagonista é a ambiciosa Carmem Diaz, em seu show particular com seus colegas e fãs, que a acompanham e, mais uma vez, dançam o máximo que podem para tentar inutilmente distrair o fato de que Paloma Bernardi não nasceu para cantar e embora tente muito e sua representação tenha a atitude de sobra que pede a personagem, isso não é suficiente para equivaler a sua falta de talento vocal.
A temporada é curta, vai até 29 de julho, mas ainda há tempo para melhoras e aprimoramentos, assim como a definição da iluminação que faltou durante a coletiva e pode ajudar muito no fator espetáculo que um show como esse precisa. Não só de boa intenção é feito um musical, principalmente no cenário brasileiro atual, mas o espetáculo completo pode revelar mais dos talentos tanto nos palcos quanto atrás deles, para conferir, teremos que esperar o próximo dia 12.
Artigo redigido por Maiara Tissi, ex-colunista do Cine Splendor.










sou fã dos dois filmes e estou bem ansioso para ver o espetáculo, mas não sei não. Não vi nada até agora que indique que ele será bom. E essa mania de colocar rostinhos bonitos e conhecidos do publico adolescente ao invés de bons atores de musical me irrita bastante.