Os filmes de Nicholas Sparks

Nesta sexta-feira dia 04, chega aos cinemas mais uma adaptação de um livro do romancista Nicholas Sparks! O autor, nascido em 31 de Dezembro de 1965, ganhou fama internacional quando seus livros tornaram-se febre e passaram a ser adaptados aos cinemas constantemente.

Com 50 milhões de livros comercializados em todo mundo, Sparks já manteve, em uma única semana, 5 livros diferentes nas lista dos “20 mais” no Brasil, sendo também colocado como primeiro lugar no New York Times 8 vezes. De seus 18 livros publicados, “Um Homem de Sorte” é o oitavo a ser adaptado aos cinemas, precedido de “Uma Carta de Amor”, “Um Amor para Recordar”, “Diário de Uma Paixão”, “Noites de Tormenta”, “A Última Música” e “Querido John“. Atores consagrados como Richard Gere, Kevin Costner, Diane Lane, Viola Davis, Ryan Gosling, Rachel McAdams e Amanda Seyfried já estrelaram longas baseados em suas obras, onde o amor conflituoso figura como personagem principal.

Acompanhando esse enorme sucesso e informando aqueles que não tiveram oportunidade de assistir a todos os títulos, o Cine Splendor resolveu realizar um especial sobre o autor e suas obras adaptadas, explicando a trama e alguns pontos de cada um dos filmes. Confira:

UMA CARTA DE AMOR


Estrelado por Kevin Costner e Robin Wright, “Uma Carta de Amor” (Message in a Bottle) foi a primeira adaptação de uma obra de Nicholas Sparks para o cinema, estreando no ano de 1999.

Dirigido por Luis Mandoki e com Paul Newman integrando o elenco de apoio, o filme conta a história de Theresa Osborne, jornalista que, ao caminhar pela praia em uma manhã, encontra uma garrafa com uma carta romântica e extremamente sincera. Impressionada com o conteúdo, ela então faz todo o possível para descobrir quem foi o autor daquela mensagem e, assim, acaba encontrando Garret Blake, um construtor de barcos da Carolina do Norte, que direcionou o conteúdo daquela palavras a sua falecida esposa Catherine. Em pouco tempo surge uma atração entre Theresa e Garret, mas os fantasmas que ele carrega não permitem que ele viva este novo amor por completo.

Assim como todos os filmes/livros do autor, a trama apresenta um “amor quase impossível” que, baseado na causa e consequência, precisa descobrir se tem o que é necessário para perdurar. Sempre com tom melancólico e circundado por tragédias e perdas, o filme mostra, essencialmente, as dificuldades de alguém entregar-se a uma nova paixão após passar por alguma situação de perda envolvendo romances passados.



UM AMOR PARA RECORDAR


Lançado no ano de 2002, “Um Amor para Recordar” (A Walk to Remember), a segunda adaptação de um livro de Sparks para as telas, foi durante muito tempo um objeto de adoração. Talvez por explorar uma dura fatalidade com personagens de pouca idade, emocionou muita gente entrando para o hall de “Melhores Filmes” de muitas adolescentes – e mulheres de todas as faixas etárias – para nunca mais sair.

O longa, que acabou apresentando a cantora/atriz Mandy Moore ao grande público, aborda a história de Landon Carter, um típico bad boy dos anos 90, que é punido por ter feito uma brincadeira de mal gosto e, assim, acaba encarregado de participar de “serviços” em sua escola. Em uma das tardes em que está monitorando alunos mais novos ele conhece Jamie Sullivan, uma estudante dedicada e perturbada por seus colegas por ser muito reservada e religiosa. Aprendendo a lidar com seu próprio modo de ser e convivendo cada vez mais com a jovem, Landon acaba se apaixonando. Porém, por razões pessoais, Jamie faz de tudo para escapar de seu assédio…

A primeira vista a trama não apresenta nada chamativo e, durante seu decorrer, peca em vários aspectos, porém seu desfecho – considerado por muitos, depressivo demais – é diferente do esperado em filmes “românticos” para jovens/adolescentes, algo que marcou muitos de seus espectadores.



DIÁRIO DE UMA PAIXÃO


Caminhando pela paixão em todas as faixas etárias, a terceira adaptação de um livro de Nicholas Sparks chegou aos cinemas em 2004 e, assim como seu antecessor, é objeto de culto dos românticos.

Estrelado pelo eterno casal Ryan Gosling e Rachel McAdams – que iniciaram um relacionamento durante as filmagens do longa e ficaram juntos por mais de três anos – “Diário de Uma Paixão” (The Notebook) foi dirigido por Nick Cassavetes, que impôs como condição a seu trabalho a escolha de Gosling como protagonista do longa.

Sua história começa em uma clínica geriátrica onde Duke, um dos internos – está que relativamente bem – lê para uma interna (com um quadro mais grave) a história de Allie Hamilton e Noah Calhoun, dois jovens enamorados que, em 1940, se conheceram num parque de diversões e, após um verão inebriado de paixão, foram separados pelos pais dela, que nunca aprovaram o namoro por diferenças financeiras entre suas famílias. Para evitar qualquer aproximação, os pais de Alie a mandam para longe e por um ano Noah escreve cartas, todos os dias, sem obter respostas. Crendo que Allie não estava mais interessada nele, Noah escreve uma carta de despedida e tentou se conformar.

Allie, durante esse período, conhece um charmoso oficial, Lon Hammond Jr., que serviu na 2ª Grande Guerra (assim como Noah) e pertencia a uma família muito rica. Sem notícias de Noah, ela então aceita casar-se com ele. Um dia, então, os dois se encontram e vivem novos momentos de paixão. Percebendo que o contato entre eles era interceptado por sua mãe e com seu amor por Noah recíproco e persistente, Allie precisa escolher entre o noivo e seu primeiro amor.



NOITES DE TORMENTA


Um romance mais maduro que os anteriores, “Noites de Tormenta” (Nights in Rodanthe) foi o ingresso para a quarta passagem de Nicholas pelos cinemas. Estrelado por um casal de consagrados atores, Diane Lane e Richard Gere, sendo este seu terceiro filme juntos – os anteriores foram “Cotton Club” (1984) e “Infidelidade” (2002) – em 2008, o longa foi dirigido por George C. Wolfe, um estreante nas grandes telas.

A trama do longa baseia-se em Adrienne Willis e sua vida, um completo caos, algo que faz com que busque refúgio em Rodanthe, uma pequena cidade litorânea na Carolina do Norte. Lá ela fica na pousada de uma amiga, onde espera refletir sobre seus problemas com a filha adolescente, que vive criticando-a, e com seu antigo marido, que pediu para retornar para casa. Porém, logo chega ao local o dr. Paul Flanner, um homem que enfrenta uma crise de consciência. Com uma violenta tempestade se aproximando, eles se conhecem melhor e, buscando consolo um no outro, têm um fim de semana que muda para sempre suas vidas.

A trama deste filme, em especial, é um pouco mais crível que a maioria dos outros baseados em livros de Sparks. É uma viagem ao interior conflituoso de duas pessoas que já fizeram o que precisavam na vida mas continuam desorientadas mas, encontrando o apoio que precisavam, acabam envolvendo-se sentimentalmente.



QUERIDO JOHN


No ano de 2010, dois filmes baseados em obras de Nicholas Sparks foram lançados. O primeiro deles, “Querido John” (Dear John), tenta dar um tom realista e romântico, similar ao lançamento dessa semana, a guerra e como esta pode – ou não – mudar uma paixão.

Como filme, é o que mais conta com toques pessoais do autor – o personagem Alan, por exemplo, foi inspirado no filho de Sparks, que sofre da Síndrome de Asperger, uma forma de autismo – e foi seu maior sucesso de bilheterias na estreia, tendo retirado “Avatar” (2009) da liderança das bilheterias americanas, posto que ocupava já há sete semanas.

Estrelado por dois novos “queridinhos da américa“, Channing Tatum e Amanda Seyfried, o longa conta a história de John Tyree, um jovem soldado que está em casa, licenciado e conhece Savannah Curtis, uma universitária idealista em férias. Como era de se esperar, eles se apaixonam e iniciam um relacionamento, sem ignorar o fato de que logo John precisará retornar ao trabalho. Dentro de um ano ele terminará o serviço militar, quando poderão enfim ficar juntos e, neste período eles trocam diversas cartas, onde cada um conta o que lhe acontece a cada dia. O que não esperavam, porém, era que o destino fosse mudar severamente para ambos…



A ÚLTIMA MÚSICA


Chegando aos cinemas poucos meses após seu antecessor, “Querido John”, “A Última Música” (The Last Song) é, sem dúvidas, a mais fraca de todas as adaptações cinematográficas baseadas em obras de Sparks – o que é uma pena visto que esta é a primeira vez que o próprio escritor integra a equipe como roteirista e adapta para o cinema um livro de sua autoria.

Embora mantenha seu tom melancólico e a sempre comum “tragédia que colocará um amor à prova“, o grande pecado deste filme foi escalar a cantora fenômeno teen – na época – Miley Cyrus como protagonista. Contando com um elenco de apoio mesclando entre memoráveis atores – como Greg Kinnear – e estreantes muito talentosos – Bobby Coleman e Liam Hemsworth – a cantora/atriz destoa fatalmente com sua atuação forçada beirando ao ridículo.

Como sustentação para o incrível talento de Hannah Montana está a história de “Ronnie” Miller, uma jovem com 17 anos, que é filha de pais divorciados e vai passar as férias, obrigada pela mãe, com seu pai numa cidade praiana. Após três anos de separação, ela ainda sente raiva por tudo o que aconteceu mas, uma vez lá, depois de conhecer novas pessoas e paixões, ela encontra alguém que, além de bom músico e professor, é, acima de tudo, um verdadeiro pai.



UM HOMEM DE SORTE


Completando a lista de livros adaptados, está uma das principais estreias de amanhã, “Um Homem de Sorte” (The Lucky One).

Embora os direitos desta obra estivessem comprados há bastante tempo, o longa demorou para ser produzido pela Warner porque, em toda oportunidade, já existiam outros títulos do mesmo autor sendo produzidos ou em vias de estrear. Após um período sem menções a novas adaptações, então, Scott Hicks, diretor indicado ao Oscar por seu trabalho no sucesso “Shine – Brilhante” (1996), filme que faturou Melhor Ator para Geoffrey Rush, encarregou-se de realizar o projeto.

Com um elenco competente, ilustrado por Zac Efron, Taylor Schilling e Blythe Danner, o longa fala sobre o sargento da Marinha norte-americana Logan Thibault que, enquanto estava no meio do conflito no Iraque, encontra a fotografia de Beth e, sem conhecê-la, passa a considerar o fato como uma espécie de amuleto em terras inimigas. Quando retorna para seu país, decide então que vai encontrá-la e através de um pedido de emprego que fez para a mãe dela, Nana, começa a manter contato mantendo em segredo o verdadeiro motivo de sua vinda. Só que Beth tem problemas pessoais com seu ex-marido, pai de seu filho, e quando romance entre os dois acaba brotando, apesar de toda a desconfiança que ela mantém sobre ele, surgem novas descobertas que colocam em risco a situação.




Sobre Teeh Schwarz


Crítica de cinema desde 2007, é apaixonada pela sétima arte, audiovisual e cultura em geral. Idolatra divindades particulares - em especial o quarteto James Cameron, Nicole Kidman, Marilyn Monroe e Marcello Mastroianni -, venerando suas colaborações para o cinema. Integrou as equipes dos sites Cinema & Afins, Pipoca Moderna e Stuff of Artie. Atualmente comanda o Cine Splendor e escreve, esporadicamente, sobre cultura pop para os sites Tardis e Máquina Pop.