
Escritas por Suzanne Collins, as obras da trilogia – cuja adaptação para as telas de todos os volumes já foi garantida – já foram traduzidas para 26 idiomas com direitos vendidos para 38 países – no Brasil sob detenção da editora Rocco – e acompanham a vida de uma garota de 16 anos que vive em um mundo pós-apocalíptico socialmente desigual.
Engana-se você que, com base em comparações vistas na mídia e internet, acha que a trilogia tem o nível de romances e ficções como “Crepúsculo” e “Harry Potter” – visto que a única semelhança com os citados é seu público alvo e a divisão do último volume literário em duas partes de adaptação para mídia cinematográfica – pois, afinal de contas, sua trama não veio somente dar asas à imaginação dos jovens, mas sim criticar a sociedade onde são criados fazendo algo que hoje está em falta: alimentando seu senso crítico. E entendam: não cabe aqui uma crítica a essas duas outras franquias, isto foi somente um destaque para auxiliar na percepção de que, no caso de “Jogos Vorazes“, o buraco é mais embaixo.
Com uma trama distópica mesclando ficção científica com direito à menções mitológicas, e um reality show que toma por base muita ação e aventura, tanto filme quanto livro despontam como novos fenômenos mundiais conquistando todos aqueles que se permitem visitar Panem e seus Distritos. Por mais de 130 semanas consecutivas na lista dos mais vendidos no New York Times, a adaptação que chegou nessa sexta-feira aos cinemas do mundo todo pode não inovar, necessariamente, em sua forma de contar e transmitir algo, mas o faz ao incitar que utilizemos a massa cinzenta para compreender abusos encontrados em vários espaços temporais…
Sobre a História
Tudo inicia-se contando a história de um período futurístico onde o território que hoje conhecemos como América do Norte foi transformado em uma nação chamada Panem, formada por uma poderosa cidade central conhecida como Capital, rodeada por doze distritos que, seguindo a ordem numérica, tem importância e poder de acordo com sua distância ao centro. No Distrito 12, o mais longínquo e, consequentemente, pobre, localizado em uma região rica em carvão (atual Cordilheira dos Apalaches), vive a protagonista Katniss Everdeen que, a partir de seu ponto de vista, nos conta a história da nação.
O ponto inicial da narrativa é, de fato, posicionado alguns anos antes do tempo em que esta se encontra, quando um distrito tentou rebelar-se e sucumbiu ao poder da Capital, sendo por esta destruído. Assim, para manter fresco o exemplo do extinto Distrito 13 e evitar novos levantes lembrando às pessoas de seu poder, a Capital criou os jogos que dão título à saga, uma competição anual transmitida ao vivo para toda a população na qual 24 jovens de 12 a 18 anos são obrigados a digladiar-se até a morte. Assim, durante uma celebração denominada Dia da Colheita são selecionados uma garota e um garoto de cada distrito para integrarem a remessa de competidores que irá lutar pela própria vida na arena até, entre os chamados tributos, restar um único sobrevivente.
Não é necessária muita reflexão para compreender que, logo na sinopse do romance encontram-se suas maiores críticas – sejam elas políticas ou contrárias ao pensamento conduzido e massificado pelos detentores do poder. Afinal, finca-se no leitor (e espectador) a sensação de ligeiro asco à situação que, para as personagens, é habitual: a repreensão violenta de um governo que obriga, deliberadamente, jovens a abrirem mão de suas vidas para que a ordem e sua ditadura seja mantida sem questionamentos – e o pior, transformando isso em entretenimento. E antes de focar nisso vale a pena voltar alguns séculos atrás para perceber, agora necessitando de parcial funcionamento dos neurônios, a similaridade proposta neste comportamento apontando-o como vestigial: a crítica do romance estende-se a pausa evolutiva do ser humano e seu emburrecimento diante de qualquer coisa que lhe garanta diversão, hábito presente desde a Roma antiga.
Afinal, batizar a nação controladora que faz vítimas em prol de seu poder e diversão, Panem (e algumas de suas personagens como, por exemplo, Claudius) não é coincidência, mas sim menção a política panem et circenses (mais popularmente citada como pão e circo) estabelecida pelo imperador Otávio Augusto para prover comida e diversão ao povo objetivando atenuar a insatisfação popular com seus governantes, realizando, dessa forma, espetáculos sangrentos com combates fatais entre gladiadores promovidos em estádios.
Sobre o livro ~ Nota: 10,0

Escrito por Suzanne Collins, abordando temas como a luta pela sobrevivência, a fome e necessidade de recursos que o povo têm devido total indiferença e desamparo por conta de seus governantes, o primeiro livro da trilogia que leva seu nome, “Jogos Vorazes“, é de leitura viciante e extremamente envolvente. Ligando seus capítulos de forma espetacular, motivando uma continuidade fluída no ritmo de leitura. Não há ponto falho em sua trama, de modo a levar tudo que nos é apresentado a dispor de algum significado ou utilidade com o decorrer de sua narrativa.
O início da concepção da saga deu-se enquanto a autora zapeava na televisão e observou, em diferentes canais, cenas de pessoas competindo em um reality show e imagens da Guerra no Iraque, de modo que elas “começaram a se confundir de uma forma muito inquietante”. Aliando isso ao mito de Teseu, que serviu de inspiração para criar Panem – tendo em Katniss uma espécie de Teseu futurista – e a sensação de perda que Collins teve quando seu pai prestou serviço militar na Guerra do Vietnã , o livro, no qual a heroína perdeu o pai cinco anos antes da história começar, tinha seus limites e trama central definidos.
Contrariando aqueles que não creem na capacidade dos jovens em desenvolver uma percepção real e dolorosa perante fatos expostos nas páginas de um livro, as poucas metáforas utilizadas durante a trama são de fácil assimilação, compreensão e transporte à “nosso mundo”, de forma que, no geral, é praticamente impossível não entender as críticas inclusas na ficção e visualizar suas situações, encontrando exemplos ativos dela na nossa sociedade. E exemplo claros disso estão na própria origem de sua inspiração onde ficam óbvios dois extremos meios de manter as pessoas frente à um programa de televisão: abordando relações em grupo que tendem a mostrar os limites pessoais de seus participantes e explorando a guerra e sua consequente violência.
Assim, seja demonstrando a necessidade de fortalecimento e desenvolvimento de capacidades dos tributos em prol da vida – como as habilidades de Katniss com o arco e flecha desenvolvidas devido a necessidade de sustentar a família através da caça ou a facilidade de Rue em manter-se níveis acima do chão devido sua rotina no pomar – ou pontuando o texto com escolhas feitas, pelas personagens, de moral complexa mas inquestionável devido sua posição, algo que transcende o certo ou errado – como a decisão de Katniss e Peeta de matar outros tributos mas garantir sua vitória nos Jogos ou a constante infração cometida, novamente, por Katniss e Gale ao ultrapassarem os limites permitidos pela Capital adentrando a floresta para que possam manter suas famílias alimentadas – o livro trabalha com precisão equivocada pontos relacionados tanto a violência e seus efeitos nas pessoas quanto à alienação dessas perante a mídia – no caso, a propaganda em volta dos Jogos e sua realização televisionada, utilizada pela Capital como instrumento de dominação e garantia a submissão do povo, impedindo qualquer tipo de rebelião – algo praticável e muito comum atualmente…
Vale lembrar, também, que não há somente uma temática essencialmente política na trama, visto que o livro ainda consegue trabalhar situações vividas por adolescentes de qualquer posição econômica, geográfica e cultural. Não bastasse discutir sobre pontos obscuros para a juventude no campo moral e de formação de caráter, há espaço na narrativa para que as relações entre estes e suas famílias – e amigos – ainda sejam dissecadas. Através da situação de Katniss com mãe e irmã são exploradas situações do elo familiar comum em qualquer lugar, como a dependência de terceiros sobrecarregando e dizimando o tempo para uma adolescente agir como tal – algo claro no final do livro, quando ela assume não saber o que fazer se adquirir tempo livre com a vitória nos jogos – ou mesmo a maturidade exigida por essa situação não estender-se ao campo sentimental, não permitindo que ela explore, diferencie claramente ou compreenda aquilo que sente por Peeta e Gale.
Dessa forma, o livro caracteriza-se por sua leitura simples, de muita análise e fácil apreciação, não deixando dúvidas sobre os motivos que o levaram ao patamar de adoração por uma geração que não está acostumada a utilizar seu senso crítico. A leitura não é recomendável: é obrigatória.
Confira booktrailer e sinopse oficiais, disponibilizados pela editora Rocco:
Este livro é o primeiro de uma bem-sucedida trilogia, comercializada para mais de 20 países. A história se passa em uma nação chamada Panem, fundada após o fim da América do Norte. Formada por 12 distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital, sede do governo. Uma das formas com que demonstra seu poder sobre o resto do carente país é com os “Jogos Vorazes”, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de 12 a 18 anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte. Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido Distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos “Jogos Vorazes”?
Sobre o filme ~ Nota: 8,0
Bem adaptado mas com muitos pontos cegos, o primeiro filme do que será a quadrilogia cinematográfica “Jogos Vorazes” surpreende na qualidade, mas decepciona ao ignorar pontos cruciais que determinariam maior fidelidade à sua obra de origem.
Roteirizado pela autora dos livros, Suzanne Collins, e Billy Ray, sob direção de Gary Ross, o longa fala sobre Panem, uma nação com uma Capital provida de tecnologia circundada por 12 carentes distritos à beira da miséria, que promove um jogo transmitido para todo o país no qual jovens casais representantes de cada um de seus distritos batalham entre si pela sobrevivência de um único “tributo”. Oferecendo-se para poupar a irmã menor, sorteada para a disputa na primeira vez em que participa do processo da “Colheita”, Katniss Everdreen torna-se a representante do Distrito 12, o mais miserável de todos, seguindo a ordem numérica, ao lado de Peeta Mellark, contando, para sua sobrevivência na arena, com orientações de um antigo vencedor dos jogos, o alcoólatra Haymitch Abernathy.
Com potencial para uma ótima produção, porém, o filme peca ao amenizar a crítica que funciona de forma esplêndida no livro. Enquanto nas páginas a violência, diferença social, controle extremo e domínio da mídia sobre a população devido à reprodução dos jogos surge de forma clara, posicionando as injustiças e justificando plenamente a revolta da protagonista perante as ações da Capital, no filme tem-se a intenção de deixar muito disso subentendido. É compreensível que isso foi utilizado para manter a faixa etária do longa mais abrangente e a trama menos chocante quando em meio audiovisual, porém esse artifício altera muitas partes da narrativa e “esconde” seus reais significados, sendo estes facilmente ignorados.

Mas, enquanto falha na transmissão da narrativa do papel para as telas, o longa também surpreende dando vida às personagens de forma extremamente fiel recriando o que nos permitimos imaginar ao ler o livro, sem deixar aqueles que não tiveram a oportunidade a ver navios. A equipe de arte e figurino do filme permite que o conflito entre Capital e Distritos esteja sempre visível, seja ao permitir o impacto presente na diferença e destaque das personagens da capital no Distrito (e vice-versa) – como, por exemplo, com a presença caricata de Effie na colheita do Distrito 12, onde suas cores de vestimenta e caracterização destoam do cinza constante da região mineira ou o reconhecimento, junto ao espectador, dos tributos perante a Capital – e a valorização dissemelhante dos habitantes de cada uma dessas regiões para com a vida dos “tributos” envolvidos na arena – perceptível nos episódios onde o silêncio prevalece no distrito e no simples fato de existirem patrocinadores para os envolvidos no massacre. Isso, sem mencionar, na brutalidade crua com que “convivemos” ao perceber que a vida dos participantes dos jogos não são menos que produtos, sendo passíveis a participar de apresentações em talk-shows e verdadeiros “desfiles de moda” com intenção de conquistarem o público e os habitantes da Capital para aumentarem suas chances de sobrevivência.
No campo de atuações, embora as personagens secundárias sejam pouco exploradas mesmo havendo importância de sua atividade e história para o longa – como, por exemplo, falar um pouco mais sobre os chamados “carreiristas” ou mesmo a pequena Rue – aqueles cujo foi incumbida a tarefa de representá-los conseguem trabalhar essa “ausência” de um passado transmitido. Sejam Alexander Ludwig e Isabelle Fuhrman mostrando a coragem e determinação que garante aos distritos de Cato e Clove a vitória nos jogos ser considerada um honra; ou a pouca, embora eficiente, presença em tela de Jacqueline Emerson, que faz de “Cara-de-Raposa” uma personagem realmente astuta, os jovens atores conseguem demonstrar a ameaça que suas personagens representam para a protagonista – assim como Amandla Stenberg representando a inocência em forma de criança na pele de Rue.
Quanto aos reais coadjuvantes, por assim dizer e sem citar o elenco “juvenil”, Elizabeth Banks, Stanley Tucci, Woody Harrelson e Lenny Kravitz, cabe mencionar que transmitem além do comprometimento, a diversão que lhes foi permitida ao interpretar seres tão caricatos. Elizabeth, com seu trabalho de expressão sob as camadas inimagináveis de maquiagem, e Tucci, com seu malicioso sorriso permanente, propagam a ideia da futilidade que a Capital emana com perfeição, ao lado de um cauteloso e preocupado Lenny Kravitz e um arrogante, apreensivo e convincente Woody Harrelson. Aliando tais atuações com a presença e química em tela de Jennifer Lawrence, que incorpora sua heroína com uma destreza digna de aplausos, provando que veio para ficar, e Josh Hutcherson, que leva o romântico destemido a um novo patamar – sem esquecer de mencionar o comedido Gale de Liam Hemsworth -, afirmo sem medos que o “time” escalado para a produção não é menos que espetacular quando precisa mostrar trabalho.
Assim, contando ainda com a presença de handcam em alguns períodos, uma escolha genial de Ross para lembrar ao espectador de que aquilo que ele vê é a realidade das personagens, provendo tom de realidade quase documental à obra, nos deparamos, ao encarar “Jogos Vorazes” como um futuro com o qual, parcialmente, já convivemos, onde há pouco caso com a vida alheia e o vício em reality-shows é presencial. Será que estamos rumando à uma sociedade capaz de realizar algo semelhante?
Ficha Técnica
Jogos Vorazes
The Hunger Games (2012 | 142 min.)
Gênero: Ação
Direção: Gary Ross
Elenco: Stanley Tucci, Wes Bentley, Jennifer Lawrence, Willow Shields, Liam Hemsworth, Elizabeth Banks, Sandra Ellis Lafferty, Paula Malcomson, Rhoda Griffis e Sandino Moya
Num futuro distante, onde os Estados Unidos estão sob o comando de um regime totalitário, a jovem Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se oferece para ser escolhida como a representante de seu distrito, ao invés da irmã Primrose (Willow Shields), em um reality show mortal que conta com participantes de outros 12 distritos. A partir de então ela passa por um período de treinamento, para se preparar para a competição.









battle royale, alguém?
Muita gente comparou, mas tirando o fato de que são jovens batalhando até a morte, não há mais nenhuma semelhança! :/
Os livros são perfeitos, já estou na metade do terceiro livro. vale a pena comprar!!!
Eu achei oos filmes legal e interesante apesar de não gostar de filmes assim, eu acho que eles estão no camiho exato para a carreira, e eu amo os dois ; ) . !!!!!!!!!!!!!!
Eles forma um belo conjunto de namorados !!!!, e Eu adorei o filme : Jogos Vorazes, Em Chamas, e vou adorar o filme A Esperançã …
Beijos, e boa sorte * Amo os filmes deles *…