Para a primeira Mudança de Hábito pensei e listei diversas opções. Mas decidi começar por um título um pouco incomum: As Tartaturas Ninja (em inglês, Teenage Mutant Ninja Turtles). Um fenômeno cultural durante os anos 90, com desenho animado, brinquedos, games e filmes. O que muita gente não sabe é que eles surgiram nos quadrinhos e depois foram para as outras mídias. Ao longo desse texto, você descobrirá a origem do quarteto e suas adaptações para os cinemas.
Do Início

O ano era 1983. Kevin Eastman e Peter Laird: dois amigos. O primeiro trabalhava num bico como cozinheiro e aproveitava seu tempo livre desenhando, enquanto que o segundo fazia ilustrações editoriais e publicitárias.
Numa noite de bebedeira e televisão, já dentro da madrugada, Kevin desenhou uma tartaruga de pé segurando um nunchaku. Peter, ao ver a ilustração, proferiu “Por que não uma tartaruga adolescente mutante ninja?”.
Com a ideia em mente, a dupla decidiu escrever uma história que homenageasse e, ao mesmo tempo, parodiasse as HQs que eles mais gostavam: Demolidor e Ronin. No lugar de uma, quatro tartarugas, cada uma com um nome de algum artista renascentista: Michelangelo, Donatello, Raphael e Leonardo. Com tudo pronto, eles produziram independentemente uma tiragem de 3000 exemplares, que logo se esgotou. Uma nova foi feita, com 6000 unidades. Novamente esgotada. A terceira então foi feita, com 15000 exemplares. Começava aí a febre das Tartarugas Ninja.
Adaptando para o Cinema

O primeiro filme se chamou apenas As Tartarugas Ninja e foi lançado no ano de 1990. Dirigido por Steven Barron e com o roteiro dos criadores Kevin e Peter, a incursão inicial não poderia ter sido melhor. O filme trata de apresentar as quatro tartarugas e o mestre delas, o rato humanoide chamado Splinter e contar a origem dessas, enquanto que uma organização criminosa agia no plano de fundo, o Clã do Pé. E quando Rafael salva uma jovem repórter chamada April O’Neal, a história começa.
Pegando como base as duas primeiras histórias criadas, as adaptações foram poucas até, comparando com os outros dois filmes. Splinter deixa de ser o mestre que treinou o quarteto apenas por vingança para se tornar um mestre sábio. April é apresentada como uma jornalista, enquanto que no material original, ela era uma cientista.
Mas um dos elementos que mais destoa dos quadrinhos é o fato de amenizarem a violência. Provavelmente pensando numa classificação mais branda, o sangue e a espada de Leonardo atravessando o Vingador (por exemplo) foram limadas. Isso não atrapalha o filme, mas é algo que merecia ser destacado. O que não dá para entender é, se resolveram pegar mais leve, SPOILER porque “mataram” o vilão prensando ele num caminhão de lixo propositalmente? FIM DO SPOILER
Contando com o mestre dos Muppets por trás da criação das Tartarugas, o live action foi o filme independente mais lucrativo até o ano de 1999, sendo que custou 13 milhões de dólares e faturou mais de 130 milhões, nos Estados Unidos.
No ano seguinte foi lançada a continuação, As Tartarugas Ninja 2: O Segredo de Ooze. Novamente com o roteiro de Kevin e Peter, mas agora dirigido por Michael Pressman, a segunda empreitada nos cinemas continuava com uma história adaptada dos quadrinhos, pegando como base a trama do Ooze, o liquido que transmutou as tartarugas e Splinter. O Vingador, milagrosamente, sobreviveu e retorna querendo se vingar daqueles que o derrotaram, e para tanto, resolve usar o Ooze para criar seus próprios mutantes.
A continuação resolveu pegar ainda mais leve no seu tom, assumindo um o lado mais humorístico e voltado para um público mais jovem. Piadas são ditas aos montes, ioiô é usado como arma. As próprias tartarugas mudaram a aparência, ficando mais cartunescas. O ápice desse desprendimento do clima mais sombrio do original ocorre no terceiro ato, onde as tartarugas, que estavam enfrentando os outros mutantes, entram numa boate, onde o Vanilla Ice (o próprio) começa a cantar o “Rap das Tartarugas” enquanto a pancadaria rola solta.O Segredo de Ooze, com seu tom mais infantil, custou 25 milhões de dólares e faturou mais de 78 milhões.
A trilogia em live-action se encerra com As Tartarugas Ninja 3, no de 1993, dois anos após o segundo filme. Com a direção de Stuart Gillard e mais uma vez com o roteiro de Kevin e Peter, ignorando completamente os quadrinhos, a história manda o quarteto para a época do Japão Feudal, onde várias confusões acontecem.
Claramente o pior da trilogia (e por consequência, não mereça nenhum comentário), por destoar em todos os elementos do original, esse filme matou a franquia nos cinemas. Custou 17 milhões de dólares e faturou mais de 42 milhões nos Estados Unidos. Em comparação direta de custo e bilheteria, o terceiro filme foi o que menos rendeu.
Em 2007, 14 anos depois, um novo filme foi lançado, dessa vez no formato de animação. TMNT: O Retorno era uma volta às origens, numa história que não era um recomeço, mas também não dizia que era uma continuação direta da trilogia (mesmo que isso fique visível). Com uma história de um vilão milenar, a história resolveu focar nas tartarugas.
Respeitando o clima das HQs, as Tartarugas são mais violentas e sombrias, mas sem deixar o tom infantil de lado, com elas fazendo piadas. Foi um bom retorno, mas que não fez o sucesso esperado, custando 34 milhões de dólares e faturando apenas 54 milhões nos Estados Unidos.
Entre Prós e Contras
As Hqs duraram até o ano de 1993, o mesmo ano em que o terceiro filme foi lançado e também tinha encerrado as aventuras das Tartarugas Ninja nos cinemas. Até que, mais de uma década depois, elas retornassem com uma animação e entrassem em novo hiato logo depois.
Dentre os três filmes em live-action, o primeiro se mantem como o mais bem dirigido, equilibrando a história entre elementos adaptados com outros intactos das HQs e com uma atmosfera mais sombria, mesmo que não seja violenta. Com o sucesso e a vontade de abocanhar um público ainda maior, foi ignorado o espírito e elementos dos quadrinhos em prol de filmes mais infantis, surgindo assim mais dois filmes. O segundo é mediano e ainda se baseia em tramas dos quadrinhos, ao passo de que a terceira parte é mais dispensável e fraca de todas. E a animação/quarto filme é boa, mas ainda assim, abaixo do primeiro filme.
E o futuro?
Eis que no em 2011 surgiram as primeiras informações de um reboot da franquia nos cinemas. Depois de Art Marcum e Matt Holloway (dupla responsável pelo roteiro de Homem de Ferro) escreveram o roteiro, foram contratados Andre Nemec e Josh Appelbaum para mexerem em cima do material já escrito. Agora no começo de 2012, uma nova notícia. Jonathan Liebesman (Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles) estaria em negociação para assumir a cadeira da direção.
A Platinum Pictures produz o filme para a Nickelodeon e Paramout, cuja ideia é resgatar o espírito dos quadrinhos, mais violento e voltado para um público mais adulto. Mas, além disso, ninguém sabe de mais nada. É aguardar pra ver…
“Kowabunga!”

Artigo redigido por Artur Andrade, ex-colunista do Cine Splendor.










Só de pensar que tenho em VHS perdido na casa da minha mãe esses filmes… (incluindo o “Máquina Quase Mortífera”) em que as tartarugas aparecem por alguns instantes.
Faltou falar do Casey Jones, é ele quem salva os filmes, rs*
Pra quem quiser conhecer os quadrinhos originais, a Devir lançou um encadernado faz um tempo com essas histórias. Dá pra achar em sites (na comix tem!). Vale muito a pena! =)
Foi a partir dessa edição da Devir que eu escrevi. Tem ela na Comix sim, caso alguém se interessar
Só que no encadernado acaba abruptamente e não lançaram um segundo pra continuar com a história, infelizmente.