Os Macabros e Adoráveis Addams




Criada em 1933 por Charles Addams, “A Família Addams” é uma típica família americana, com pais amorosos, filhos pentelhos, uma avó maluquete e um tio engraçadão, mas com hábitos nada típicos. Originalmente uma história em quadrinhos, os traços de Addams, sua abordagem divertida e personagens encantadores conquistaram o grande público. Em 1964 essa família invadiu a televisão, multiplicando o sucesso dos quadrinhos e após duas temporadas, se tornou um clássico. Seus personagens chegaram ao cinema no início da década de 90, fazendo com que a família fosse relembrada através de um elenco de peso, que deu vida aos macabros e adoráveis Morticia, Gomez, Wandinha, Feioso, Tio Fester, Tropeço e Vovó. Depois da versão cinematográfica, não há quem não conheça “A Família Addams” e em uma época que efervescem revivals e adaptações nos palcos da Broadway, todo esse ambiente Addams foi muito bem-vindo.

A peça estreou no teatro Lunt-Fontanne no início de 2010 com os intérpretes da dupla de amantes eternos carregando o elenco, Nathan Lane como Gomez e Bebe Neuwirth como Mortícia (meses depois substituída por Brooke Shields na troca de elenco). Se nos quadrinhos e no seriado a trama se encarregava de mostrar a cada episódio uma ocasião diferente no dia-a-dia dos Addams, nos filmes e na peça premissas precisaram ser criadas. O filme apresentou um Tio Fester desaparecido e uma dupla de aproveitadores querendo tomar as riquezas da família, já a peça traz uma Wandinha bem mais velha e apaixonada, o que, claro, pode render muito. Um detalhe, aliás, que marca uma das maiores mudanças entre todas as versões é a própria Wandinha, que costumava ser a mais nova da família, mas no cinema aparece com uma idade bem semelhante à de Feioso e no teatro já é a primogênita em sua adolescência. Seu guarda roupa, porém, permaneceu intocável.

Essa premissa adiciona à peça três outros personagens: o garoto Lucas e seus pais provindos de uma família clássica, pra não dizer conservadora ou quadrada. Wandinha se vê no momento mais conflitante de sua vida ao se descobrir apaixonada, dilema muitíssimo bem traduzido pela música “Pulled” (“Bom Caminho” na versão brasileira escrita por Claudio Botelho), enquanto prepara um jantar para que as duas famílias se conheçam e precisa convencer todos a se comportarem “normalmente” (“One Normal Night”, uma das minhas favoritas). Assim, novamente o jeito diferenciado dessa família vem a tona com algumas visitas que não deixam passar despercebido a decoração fora do usual, a comida extravagante e principalmente o comportamento inverso desses adoráveis estranhos.

Apesar de sentirmos falta de Primo Iti e Mãozinha, que ganham mais destaque – e mobilidade no caso de Mãozinha – nos filmes e não fazem uma aparição no teatro, Morticia continua cuidando, ou melhor, cortando suas rosas, Gomez continua louquinho por ela, Tropeço continua com sua própria língua e Wandinha continua brincando de torturar seu irmãozinho. Embora, na verdade, a partir do momento que Lucas aparece em cena, Feioso se sinta um tanto quanto rejeitado e enciumado.

Outra interessante novidade nos palcos é o ensemble (grupo de atores coadjuvantes que ajudam a peça como coro e dançarinos) composto pelos ancestrais dos Addams, fantasmas retirados da cripta na primeira cena que permanecem em volta por livre e espontânea pressão de Tio Fester que, mais romântico do que nunca, quer ajuda para fazer com que tudo corra bem no tão temido jantar. Todo esse romantismo de Fester provavelmente se dá por ele também estar apaixonado; pela lua. Paixão que rende um dos momentos de maior destaque da peça, a canção “The Moon and Me”, acompanhada por um banjo em toda sua originalidade e fofice.

A trilha da peça, criada por Andrew Lippa representa uma de suas maiores qualidades. O conjunto da obra, porém, não agradou tanto quanto o esperado e recebeu críticas duras durante sua temporada, o que fez com que os criadores Marshall Brickman e Rick Elice mexessem seus pauzinhos rapidamente para que após uma temporada na Broadway a peça saísse em turnê pelos Estados Unidos e também em sua turnê mundial repaginada. A trama foi modificada, algumas músicas saíram e outras entraram. A versão final surtiu resultado, os novos depoimentos quanto à peça foram bem mais agradáveis e é essa nova versão que recebemos no Brasil, com ótimas músicas em ótimas versões, um elenco calibrado e duas horas de diversão garantida.




Ficha Técnica




A Família Addams
The Addams Family (1991 | 99 min)

Gênero: Comédia, Fantasia
Direção: Barry Sonnenfeld
Elenco: Angelica Houston, Raul Julia, Christopher Lloyd e Christina Ricci

Os Addams, uma família macabra, correm o risco de perder seu tesouro de moedas de ouro, pois Tully Alford (Dan Hedaya), um advogado desonesto de quem os Addams são clientes, está em sérias dificuldades financeiras. Para não ter “problemas de saúde”, pois Abigail Craven (Elizabeth Wilson) e o filho Gordon (Christopher Lloyd), seus credores, estão dispostos a fazer qualquer coisa para receber o dinheiro, Alford tem uma idéia ao notar que Gordon é muito parecido com Fester, o irmão de Gomez, o chefe da família, que há 25 anos quer encontrar seu irmão. Assim Gordon finge ser Fester e na casa tenta encontrar a fortuna que paga os gastos de Gomez, Mortícia (Anjelica Huston), Wandinha (Christina Ricci) e Feioso Addams (Jimmy Workmen). Mas o plano não é tão simples como parece, pois os Addams são uma família bem peculiar. Além disto Gordon se sente tão bem sendo Fester que começa a se sentir como parte da família.





Artigo redigido por Maiara Tissi, ex-colunista do Cine Splendor.


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