Em 2004, Edgar Wright fez sua estreia no cinema com o sensacional “Todo Mundo Quase Morto” (Shaun of the Dead). Porém, engana-se quem pensa que o diretor britânico era um então desconhecido: alguns anos antes, mais precisamente em 1999 e 2001, dirigiu os 14 episódios da imperdível série “Spaced” (nunca assistiu? Então não sabe o que perdeu!).
Por isso, em homenagem ao jovem diretor, que completou 38 anos no dia 18 abril, o tema desta e de outras colunas de Os Embalos de Sábado à Noite será justamente as trilhas sonoras dos filmes dirigidos por ele. Afinal, além da paródia, da homenagem à cultura pop e da edição peculiar de suas películas (OK, incluo “Spaced” nesse pacote também), as músicas exercem um importante papel, seja como elemento cômico ou para criar tensão.
Para começar a trilogia, o já citado “Todo Mundo Quase Morto”, que foi lançado diretamente em DVD no Brasil, assim como o ótimo “Chumbo Grosso” (Hot Fuzz, de 2007). Quem assistiu ao filme deve remeter diretamente à já clássica sequência do ataque de zumbis no pub Winchester (lembre-se: trata-se de uma comédia romântica… com zumbis). Ao som de “Don’t Stop Me Now“, do Queen, Wright cria uma hilária coreografia: dificilmente uma canção pop foi tão bem utilizada no cinema, funcionando até mesmo como personagem da cena (afinal, ela está inserida na história).
Embora Wright deva ter palpitado na produção da trilha de seu filme, o mérito também vai a Nick Angel, supervisor musical homenageado no longa seguinte do diretor (saiba mais na coluna sobre “Chumbo Grosso”). Afinal, só uma pessoa com profundo conhecimento musical, mainstream e underground, consegue juntar tantos trechos sonoros curiosos, a começar por “The Blue Wraith”, do I Monster. Mas curioso mesmo é a inserção de diálogos nas músicas presentes no álbum da trilha: é como rever “Todo Mundo Quase Morto”, só que… com os ouvidos.
E para embalar o apocalipse zumbi – ou quase isso –, o bom e velho Ash (com “Meltdown”, “Orpheus” e a cover de “Everybody’s Happy Nowadays”, esta com a participação de Chris Martin); Queen (que também está com “You’re My Best Friend”, tema do bromance central); The Smiths (com a sugestiva “Panic”); o ska de The Specials (“Ghost Town”) e vários nomes representantes de gêneros que vão do eletrônico ao punk, passando por hip hop e diversos remixes.
Depois de escutar a trilha sonora e sentir novamente o gostinho deixado pelo filme (uma mistura de sangue, cerveja e, acredite, bala de cereja), dá até vontade de revê-lo – desta vez, com os olhos, ouvidos e senso de humor atentos.
Nota: Não posso deixar de mencionar Simon Pegg, protagonista e co-roteirista deste filme, provavelmente responsável por grande parte das piadas geek inseridas na película.
Artigo redigido por Lucie Ferreira, ex-colunista do Cine Splendor.








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