Continuando com a série de colunas (na verdade uma “trilogia”) sobre trilhas sonoras de filmes dirigidos pelo britânico Edgar Wright, o álbum comentado da semana é o de “Chumbo Grosso” (Hot Fuzz).
Há duas semanas, escrevi sobre “Todo Mundo Quase Morto”, cuja trilha chama a atenção por misturar Queen a músicas eletrônicas que dificilmente você vai ouvir em uma boate. Pois “Chumbo Grosso” resgata rock’n'roll psicodélico e temas de David Arnold que remetem a filmes policiais da década de 1970. Vale lembrar, aliás, que o compositor londrino tem cinco filmes da franquia “007″ no currículo e é responsável pela música da série da BBC “Sherlock“. Ou seja: seu trabalho em “Chumbo Grosso” caiu como uma luva.
E como o filme desta coluna é justamente uma paródia-homenagem a filmes de ação, sobretudo os, digamos, clássicos “Máquina Mortífera“, “Caçadores de Emoção” e “Bad Boys 2″, a trilha sonora não poderia ser melhor. Além do costume de colocar diálogos nas músicas, Nick Angel selecionou ótimas bandas e artistas britânicos para figurar na trilha. Aliás, o supervisor musical é homenageado pelo roteiro de Edgar Wright e Simon Pegg ao inspirar o nome do protagonista interpretado por Pegg: o Sargento Nicholas Angel.
Tarefa difícil é escolher os destaques de um álbum com Adam Ant, XTC, The Kinks, The Troggs e T-Rex. Mas os escoceses do The Fratellis chegam bem perto, ainda mais levando em consideração que estão presentes com o musicão “Baby Fratelli”, que ganhou um clipe oficial com cenas do filme. Além disso, é deles a cover excelente para “Solid Gold Easy Action”, do T-Rex.
Ainda entre os clássicos, “BlockBuster”, do The Sweet, marca presença. Pois, um filme de ação cheio de tiros e explosões merecia uma música do mesmo nível, não é mesmo? E que tal o superbaterista Cozy Powell e sua “Dance With the Devil“? Ou o experimentalismo instrumental do Stavely Makepeace?
Mas para quem assistiu ao filme, o melhor é constatar como as músicas são utilizadas nele: longe de parecer pedantismo, elas se encaixam perfeitamente nas cenas, fazendo referências às mesmas. Exemplo? A utilização de “Fire”, de The Fantastic World of Arthur Brown em uma cena relacionada a… incêndio. Óbvio, mas perfeitamente funcional.
Para não dizer que só falei dos clássicos, além dos contemporâneos do The Fratellis, tem também Eels (presença norte-americana com a bacaníssima “Souljacker Pt. 1“) e o trio Britpop Supergrass com a barulhenta “Caught by the Fuzz“, originalmente lançada em 1994.
Saldo final: embora prefira o filme “Todo Mundo Quase Morto”, a trilha sonora de “Chumbo Grosso” é superior e essencial para qualquer um com ouvidos minimamente apurados. Ou seja, se você gostar de Britpop e psicodelia, vá em frente e salve na pasta de Favoritos do seu player.
Artigo redigido por Lucie Ferreira, ex-colunista do Cine Splendor.








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